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Thursday, July 12, 2007

Aquascaping - Truques e dicas

Primeiro é necessário saber distinguir um aquário de plantas de um plantado!
Colocar plantas num aquário é fácil e cada um pode fazê-lo, basta espalhá-las pelo aquário sem qualquer critério de tamanho, crescimento, textura... etc. Acaba por ter uma única finalidade, dar alguma cor ao aquário (verde) e tentar dar as melhores condições possíveis aos seus habitantes.
Um aquário plantado é bem diferente! A noção de profundidade bem como o preenchimento de espaços são fundamentais quando se cria um plantado. Todos os factores contam quando se cria o layout, mesmo não esteja ainda plantado. A disposição de pedras e/ou troncos têm de estar em harmonia, porque é em base destes materiais inertes que vamos ocupar os restantes espaços com plantas. Estes materiais podem ser usados como pontos focais, o que levará à pessoa a fixar o olhar assim que observa o aquário pela 1ª vez.
O aquário que vou usar como exemplo, serve para mostrar o outro lado do "Aquascaping". Baptizei-o de Syrah, uma pequena homenagem ao Alentejo e às nossas paisagens nacionais!

Foto da montagem e do hardscape.


Já com as plantas e cheio de água!


Com aproximadamente 50L de água e com uma área muito pequena para trabalhar, o segredo está no tamanho das pedras, tronco e as proporções que eles irão ter dentro do áqua.

Usei xistos para o efeito por serem inertes e com algum volume. Atenção que volume não é tamanho! Para que o efeito seja o mais parecido com a natureza, convém que as pedras apresentem algum relevo e não sejam lascas ou demasiado lisas. Depois de dispostas as pedras que contornam o rio (estão enterradas e em contacto com o vidro inferior) comecei a colocar algum substrato nas laterais.

O substrato convém que seja algo poroso para que os nutrientes sejam absorvidos e as raízes possam crescer sem qualquer atrofiamento. Granulado 2 a 3mm é o mais indicado para plantados, porém se o granulado for maior no que diz respeito a plantas de tapete poderá haver algum problema de fixação. A utilização de Akadama (usual terra para criação de Bonsais) começa a ser um material muito usado na comunidade de Aquapaisagistas; devido á cor (semelhante á terra), por ser uma argila porosa e por facilitar um excelente enraizamento das plantas. Acaba por ser uma excelente alternativa ás conceituadas marcas existentes no mercado.

Mas quais serão as grandes diferenças entre o normal akadama e as restantes argilas porosas da ADA, ELOS, etc; O preço praticado? Sim mas não só... Como é óbvio, as marcas desenvolveram algo mais... algo que impulsione o crescimento das plantas e que cumpra os requisitos básicos iniciais e posteriores que a akadama não fornece. Daí custarem ligeiramente um pouco mais, mas evitam assim fertilizações desnecessárias desde o 1º dia e uma fácil manutenção das plantas. Mas atenção... As marcas não fazem MILAGRES!!! Mas ajudam e muito, principalmente a evitar algumas dores de cabeça!

Uma vez que o substrato está colocado, as pedras servirão de barreira para evitar a mistura com a areia branca do rio. A areia branca serve exclusivamente para decoração, criar algum contraste com as pedras e o verde das plantas. Aí está o ponto focal...

Quando olham para o áqua 2 coisas saltam á vista, o rio e a árvore...Como a nossa visão é orientada da esquerda para a direita, há quem defenda que o ponto focal esteja posicionado a 1/3 do áqua, facilitando a "leitura" do objecto.

Neste caso e como optei por um layout triangular e de forma crescente (ESQ-DIR) a árvore deveria estar mais acima do ponto focal para um melhor acompanhamento da visão. As plantas foram escolhidas ao pormenor e como já vem sendo habitual nos meus layouts, reduzo ao máximo a mistura de espécies. Optei por Eleocharis parvula e Eleocharis aciculares para simular a relva e Vesicularia dubyana (musgo de java) para a copa da árvore.

Depois de muitas teorias e alguns comentários de pessoal habituado a plantados, de que não teria sucesso na copa da árvore, isto porque o musgo não levantaria mas sim ficaria escorrido pela árvore... aqui está a prova que a teimosia e as condições certas transformam o impossível em possível!!!

Estado mais selvagem e natural, embora o tapete não estivesse bem desenvolvido, já dava para dar um ar de sua graça.

Estado final do áqua e uma foto para recordação! Como o calor está a chegar e o musgo não suporta altas temperaturas, mais vale avançar para outro projecto e regressar ao "Syrah" assim que entrar o Outono...

7 comments:

Rodrigo Menezes Ramos said...

Admiro muito suas montagens. Sempre visito seu blog para aprender um pouco. Parabéns pela qualidade do seu trabalho!!!

Lívio Nakano M.D. said...

Sabe, essa é uma das montagens mais originais que pude acompanhar, e certamente uma das que mais admiro.
Hoje, existem disponiveis para o aquapaisagista, diversas espécies de musgos, e tem se verificado algum progresso consistente também na identificação dessas espécies.
De forma que, hoje, atribui-se ao Musgo de Java, o nome científico de Taxiphyllum barbieri, e não mais Vesicularia dubyana (este é o Singapore moss).
Abraço

Jean said...

Olá, gostaria de saber o nome desta arvore e se vc pude-se me indicar um local para comprar, pois gostei tanto q pretendo montar um parecido, rs!

Filipe Oliveira said...

Jean,

Se reparar em toda a montagem não é referido nenhum nome de árvore ou Bonsai! Esta árvore foi feita através de uns troncos e com musgo de java... nada mais!

Abraço,

Filipe Oliveira

Jean said...

Depois, eu li um poco sobre o assunto e reparei, estou montando um aquario de 60x20x20, assim que tiver pronto eu lhe envio uma foto! Obrigado! Continue com seu otimo trabalho!

Viva Tecnologia said...

gostei muito desse aquario mas não tenho esperiencia para fazer um desse tipo, quanto vc me faria um e me enviaria me manda um email para vivatecnologia@uol.com.br meu contato e 71 9960-5259 (Vivo) parabens pelo seu trabalho muito lindo veja o preço com o completo igua a esse ai com os mesmo tamanhos.

Filipe Oliveira said...

Olá,

Não deve de ter reparado, mas vivo em Portugal e não no Brasil. Logo enviar um áqua do género para aí seria muito, muito complicado!
No entanto o meu contacto de email está no meu blog e pode contactar-me caso assim entender.

Cumprimentos,

Filipe Oliveira